E mesmo que meus olhos estejam tampados, e mesmo que eu perca toda memória que um dia já possui, mesmo que tente mudar, tudo me leva ao mesmo canto, a mesma imagem, paisagem repetidamente agradável. Dos pés a cabeça, do sorriso ao modo de encarar. E por milhares de vezes a minha pergunta foi "porque?" e por outras milhares a minha resposta era "para que?" e das duas, eu não temia nenhuma. É como um desenho ou um filme agradável da TV, me trás vontade de sorrir, me alivia todas as coisas, me mostra o lado bom de coisas chatas e opacas, me faz ser utópica. Talvez a minha maior vontade seja que tudo se torne concreto, ou que talvez eu enjoe desse tal roteiro de TV, mas quem sabe permaneça assim, talvez o encanto não acabe, e seria bom. Realmente existe um vidro que me impede de alcançar, tão transparente e tão real, tão lindo, tranquilo e assim mesmo tão intocável, o que não derrete o que de fato é belo em ti. Essa forma de viajar, pensar tanto, é como se encher de chocolate, saber que talvez o amanhã seja gordo e cheio de dores, mas talvez eu só sinta vontade de mais. Mesmo sendo completamente irritante querer e gostar de ser chocólatra, eu não perco tempo me lastimando por não poder usufrui-lo, eu o observo e já me sacio!
dc.

